quarta-feira, 6 de junho de 2018

Maldito calor...


Raio de calor que não a larga!
Sobe-lhe pelo corpo...
acelera-lhe o coração...
e quase a deixa ofegante.
As mãos tremem sem motivo...
e até a roupa lhe magoa o peito...
meio inchado e deveras sensível.
Trabalhar custa-lhe tanto...
e já só pensa em sair dali.
E eis que a hora chega.
Nunca chegou tão depressa a casa,
mas já não aguenta mais.
Despe-se num piscar de olhos
e enfia-se no chuveiro.
Um duche de água fria...
sim...
talvez seja disso que precisa
para arrefecer o seu corpo.
A água fria escorre-lhe pela pele...
mas aquele calor não se dissipa.
Esfrega o rosto...
Esfrega o corpo...
mas apenas aumenta aquele ardor.
Desce a mão e toca-se.
Não percebe muito bem porquê...
mas algo lhe diz que tem de o fazer.
E enquanto aperta o peito com a outra,
acaricia-se delicadamente.
Que bem que lhe sabem aqueles movimentos...
tão bem que os intensifica.
Sente as pernas a tremer
e a quererem fraquejar.
Ajoelha-se e continua.
Ora lentamente...
Ora mais intensamente.
Solta um pequeno gemido
que depressa abafa com vergonha.
Mas já lhe custa tanto não gritar
que desiste de se esforçar.
E geme!
Bem alto!
A cada toque...
a cada movimento...
gemido atrás de gemido...
até que perde o controlo sobre si.
A onda de calor aumenta...
e cada vez lhe custa mais respirar.
Solta um último gemido abafado...
o corpo treme-lhe por todo o lado...
e ela sente o orgasmo a vir.

Saio do banho e seco-me.
O calor continua a não me largar.
E eu já não sei mais o que fazer.
Toque atrás de toque...
carícia atrás de carícia...
e nova sessão de gemidos.
Porra! Que não há meio disto passar!
Vou dormir...
talvez seja melhor...
mas já sei que vai ser difícil...
porque é contigo que vou sonhar...
e la vai este maldito calor...
voltar para me torturar...

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Desafio...


Apostaste que não te conseguia afectar...
Desafiaste-me!
Eu que te mostrasse do que era capaz...
e eu não fugi ao desafio.
Como nunca fugi antes...
como nunca irei fugir de nenhum.
E dei tudo por tudo!
Lancei-me de cabeça...
sem nada a temer.
Sabia bem do que era capaz...
e sabia que estava ganho.
Encarnei a personagem.
Guardei a menina inocente...
e soltei a safada.
Viste-o no meu olhar e no meu sorriso.
E soubeste que estavas fodido!
Mas aguentaste-te firme
e não deste parte fraca.
E dou-te mérito por isso.
Ainda nem me tinha aproximado
e já tu sorrias meio assustado.
Passeei-me à tua volta...
mas nem sequer te toquei.
Tentaste seguir-me com os olhos...
e ter-me sempre no campo de visão...
Medo do que te pudesse fazer...?
Ou medo de não aguentares e cederes...?
Eu sabia...
e tu também.
Encostei o meu peito às tuas costas...
e desci as minhas mãos ao teu rabo.
Inspiraste fundo e engoliste em seco!
Aproximei-me do teu ouvido e sussurrei...
"-Calma... que ainda agora comecei..."
Fechaste os olhos e arrepiaste-te.
Beijei-te no pescoço
e apertei-te contra mim.
Conseguia sentir o calor do teu corpo
mesmo com os dois ainda vestidos.
Deixei as minhas mãos
explorarem o teu corpo...
enquanto tu te esforçasse
para controlar a respiração.
Mas a cada toque meu...
a cada carícia que te fazia...
a tua respiração acelerava...
e eu ouvia-te cada vez mais ofegante.
Esgueirei a mão para dentro das tuas calças...
e foi quando te mexeste.
Agarraste-a e, muito a custo, disseste...
"-Espera..."
Perguntei se ainda achavas que não te afectava...
e até se querias que parasse mesmo.
Soltaste a minha mão...
e apenas murmuraste "ganhaste".
Sorri.
Sabias tão bem quanto eu
que te afectava e não era pouco...
mas eu também sabia
que tu querias era que te provocasse...
querias que "acordasse" esse teu desejo adormecido...
Querias sentir-te desejado...
e sabias que te desejava mais que o ar que respirava.
E o quanto me deixava excitada
sentir a tua tesão...
Poder tocar-lhe...
poder senti-la...
poder saboreá-la!
Tu é que me desafiaste...
mas era eu que estava a perder o controlo.
Pedi-te que me fodesses...
como nunca o tinhas feito antes...
Disseste-me que eu que o fizesse...
que te devorasse...
como se a minha vida dependesse disso!
E eu assim o fiz.
Mãos...
Lábios...
Língua...
Toda a minha pele tocou a tua...
todo o meu corpo encaixou no teu...
todo o meu desejo se uniu ao teu...
toda a minha tesão se fundiu com a tua...
E entre gemidos e palavras roucas...
entre tremores e escassez de forças...
quando já eu me tinha saciado...
desci e deliciei-me...
até sentir que te sugava a alma...
até à última gota.